GAMBCODES

DESVALORIZAÇÃO DE PROGRAMADORES E TÉCNICOS

    Você que trabalha com programação ou suporte, já percebeu que os status dessas duas profissões já não são mais os mesmos?

   A racionalização do trabalho moderno está alcançando seu objetivo: racionalização de tudo e cada ato de um trabalhador seguida da desvalorização das profissões, porém, lembremos do que diziam Horkheimer e Adorno (escola de Frankfurt): “a razão pura é incapaz de determinar os objetivos supremos da vida humana” e para comprovar isso, basta nos lembramos de como os campos de concentração nazistas eram organizados: tudo planilhado, planejado e racionalizado num nível desumano e tecnocrático puro.

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   A cada ano as profissões de programador e técnico de informática vão sendo desvirtuadas e desvalorizadas com o aperfeiçoamento das modernas técnicas de gestão que aplicam a perversa lógica da maximização da produtividade e minimização de mão de obra junto com o objetivo de alcançar a racionalização pura.

   O técnico de informática e o programador já quase não gozam mais de status positivo pois a moderna gestão que almeja alcançar a racionalização pura da força de trabalho, dita as regras de como os profissionais devem realizar suas atividades: a profissão de programador está se tornando um misto de atendimento de callcenter (telemarketing) com pastelaria: atendimento direto ao cliente via telefone, preenchimento de inúmeros formulários de documentação e produção alucinada de códigos para ontem…

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   No caso da profissão de técnico de informática, há muito tempo que foi engolida pelo sistema de callcenter e hoje, os técnicos que prestam suporte via callcenter não passam de operadores de telemarketing formados em áreas da TI ganhando mixaria (até uma diarista em SP com fundamental incompleto, semi-alfabetizada trabalhando por 8 horas e se estressando bem pouco, ganha mais que um técnico de suporte formado em curso superior, que sabe inglês e geralmente tem pelo menos uma certificação).

   Todo mundo que trabalha na área de TI sabe que os cargos mais bem pagos e valorizados são apenas os cargos relacionados à gestão do trabalho e equipes, ou seja, como na antiguidade, somente os administradores de gado humano ainda desfrutam de privilégios… ou seja: o cara pode não saber nada sobre os processos técnicos e sistemas, porém, se sabe manejar o chicote com precisão será muito bem recompensado.

   Conheço muitas pessoas que eram ótimos profissionais em suas respectivas áreas de TI mas que pela desvalorização crescente do salário e com as condições de trabalho se degradando rapidamente, essas pessoas, após anos e anos de estudos (faculdades, cursos, certificações,etc) ficaram desiludidas com a área e abandonaram aquilo que mais amavam fazer (programação ou suporte técnico) e foram empreender abrindo empresas no ramo da construção civil ou pequenos negócios: quanto que o país não perde com isso? Nosso país tão dependente de tecnologia ainda importa do exterior bens e serviços da área de TI, e bem que podia aproveitar esses talentos para desenvolvimento da tecnologia NOSSA, do nosso país.

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   Temos que repensar esse processo louco de racionalização de tudo, planificação de tudo, pois estamos colocando nossas vidas e o futuro de nossos filhos em planilhas do Excel e nem tudo deve ser racionalizado: sem a imaginação, sem a liberdade para improvisar, a vida humana perde o sentido e a graça.

   Por acaso colocamos numa planilha nossas metas de orgasmo por ano? Ou quanta vezes vou tomar cerveja com os amigos? Pois é, racionalizando TUDO acabamos levando vidas escrotas e esvaziadas de sentido: o mesmo ocorre com nossas tarefas laborais diárias…

   Ao invés de seguir planos frios de uma planilha que não tem cheiro,cor,sabor e que não reflete as dificuldades e dores do dia a dia de um programador ou técnico de suporte, deveríamos realizar tarefas com mais liberdade, imaginação e com o sentimento de que somos valorizados, que nossa atividade tem valor: programar e prestar suporte são um misto de ARTE, PAIXÃO e TRABALHO.

Homero H Oliveira

Bibliografia

HORKHEIMER, Max e ADORNO, Theodor W.

Dialética do esclarecimento. 2. ed2 Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1985,

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Categories:   cibercultura, FILOSOFIA, FILOSOFIA E TECNOLOGIA, MERCADO DE TRABALHO E TI

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